UM ESPAÇO ONDE TODOS OS CAÇADORES E AMIGOS DA ASSOCIAÇÃO DE CAÇADORES DO CONCELHO DE MAÇÃO SE PODEM REUNIR NUMA TERTÚLIA PARA DESFRUTAR DESTE NOSSO DESPORTO.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
CAÇADA DE 01 DE NOVEMBRO
Como já anteriormente tinha dito, quando se caça com amigos é sempre um dia diferente, assim foi também neste dia em que estive a caçar com o amigo de juventude J.Luís e com quem passei tempos memoráveis na pesca, e não só.
Quando tinhamos férias tanto pelo Natal, Carnaval, Páscoa e Férias Grandes (Verão) todas elas eram motivo para nos encontrarmos, não só nós dois mas também o J.M., o P.L. o "Puto", o "Russo" e algumas amigas......, eramos nós os seis que ano após ano passávamos juntos as nossas férias que deixam ainda hoje saudades, que dias bem passados, sem horas, sem preocupações que não fossem o arranjar isco e engodo, dias e dias a pescar e tomando banhos no Tejo, ricas vidas de adolescentes.
Mas este dia além de ser um bom dia de caça, mais uma vez o calor nos brindou e notou-se logo o trabalhar dos cães, com o nevoeiro matinal ao início e seguindo-se o sol não há cão, nem nariz que aguente. Mais vale esperar um pouco que levante a maresia e o nevoeiro para nos aguentarmos melhor assim como os nossos cães.
Foi dos dias em que mais caça se mostrou no meu entender e penso que também foi dos dias em que mais caça se apresentou ás portas mas com o quadro final a saldar-se somente por 19 perdizes e um coelho, parado por uma epagnaul e atirado como se de uma perdiz se tratasse, grande Nuno.
O almoço mais uma vez excelente, um arroz de lebre de fazer inveja a qualquer restaurante gastronómico dos que fazem parte dos roteiros de feiras e semanas da caça como é habitual nesta época do ano no Alto e Baixo-Alentejo.
Pela tarde o "Sousa" brindou-nos com um petisco feito com cogumelos, sim que nós não apanhamos só perdizes, também somos uns magnificos recolectores de produtos silvestres, que estava de se lhe tirar o chapéu, parabéns por isso e já estamos á espera do próximo.
Ficam as fotos desta vez em plena acção de caça pois o Sr. Presidente não fez a recomendação habitual e como voçês já conhecem todos os sítios ficam estas de exteriores numa bonita manhã de nevoeiro, apreciem.
COMEÇO DA CAÇADA EM ALPALHÃO PARA VER SE CONSEGUIAMOS UMAS LEBRES (PAISAGEM SOBERBA).

DOIS AMIGOS A PREPARAR A ESTRATÉGIA.

A POSICIONAR-SE PARA CORTAR A FUGA DAS VERMELHUDAS OU ALGUMA RABUDA.

VAMOS COMEÇAR, A ESTRATÉGIA JÁ ESTÁ ESTUDADA.

ESPERANDO PELO COMPANHEIRO DE LINHA, PARA NÃO HAVER ESPAÇOS ABERTOS ENTRE CAÇADORES.

UM DIA EM QUE SE VIU MUITA CAMA DE LEBRE, UMAS VELHAS OUTRAS AINDA QUENTES.

OS COMPANHEIROS A COMENTAREM O DESENROLAR DA CAÇADA, AINDA ESTÁ MUITO NEVOEIRO.

AÍ ESTÁ A PRIMEIRA PERDIZ COBRADA COM O CÃO (DIANA ) A COBRAR E A TRAZER Á MÃO, 20 PONTOS.
Quando tinhamos férias tanto pelo Natal, Carnaval, Páscoa e Férias Grandes (Verão) todas elas eram motivo para nos encontrarmos, não só nós dois mas também o J.M., o P.L. o "Puto", o "Russo" e algumas amigas......, eramos nós os seis que ano após ano passávamos juntos as nossas férias que deixam ainda hoje saudades, que dias bem passados, sem horas, sem preocupações que não fossem o arranjar isco e engodo, dias e dias a pescar e tomando banhos no Tejo, ricas vidas de adolescentes.
Mas este dia além de ser um bom dia de caça, mais uma vez o calor nos brindou e notou-se logo o trabalhar dos cães, com o nevoeiro matinal ao início e seguindo-se o sol não há cão, nem nariz que aguente. Mais vale esperar um pouco que levante a maresia e o nevoeiro para nos aguentarmos melhor assim como os nossos cães.
Foi dos dias em que mais caça se mostrou no meu entender e penso que também foi dos dias em que mais caça se apresentou ás portas mas com o quadro final a saldar-se somente por 19 perdizes e um coelho, parado por uma epagnaul e atirado como se de uma perdiz se tratasse, grande Nuno.
O almoço mais uma vez excelente, um arroz de lebre de fazer inveja a qualquer restaurante gastronómico dos que fazem parte dos roteiros de feiras e semanas da caça como é habitual nesta época do ano no Alto e Baixo-Alentejo.
Pela tarde o "Sousa" brindou-nos com um petisco feito com cogumelos, sim que nós não apanhamos só perdizes, também somos uns magnificos recolectores de produtos silvestres, que estava de se lhe tirar o chapéu, parabéns por isso e já estamos á espera do próximo.
Ficam as fotos desta vez em plena acção de caça pois o Sr. Presidente não fez a recomendação habitual e como voçês já conhecem todos os sítios ficam estas de exteriores numa bonita manhã de nevoeiro, apreciem.
COMEÇO DA CAÇADA EM ALPALHÃO PARA VER SE CONSEGUIAMOS UMAS LEBRES (PAISAGEM SOBERBA).
DOIS AMIGOS A PREPARAR A ESTRATÉGIA.
A POSICIONAR-SE PARA CORTAR A FUGA DAS VERMELHUDAS OU ALGUMA RABUDA.
VAMOS COMEÇAR, A ESTRATÉGIA JÁ ESTÁ ESTUDADA.
ESPERANDO PELO COMPANHEIRO DE LINHA, PARA NÃO HAVER ESPAÇOS ABERTOS ENTRE CAÇADORES.
UM DIA EM QUE SE VIU MUITA CAMA DE LEBRE, UMAS VELHAS OUTRAS AINDA QUENTES.
OS COMPANHEIROS A COMENTAREM O DESENROLAR DA CAÇADA, AINDA ESTÁ MUITO NEVOEIRO.
AÍ ESTÁ A PRIMEIRA PERDIZ COBRADA COM O CÃO (DIANA ) A COBRAR E A TRAZER Á MÃO, 20 PONTOS.
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José Alberto Reizinho
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quarta-feira, novembro 04, 2009
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
SUGESTÃO DE FIM-DE-SEMANA
Organizada pela Câmara Municipal de Alcoutim, a qual visa promover o concelho como zona privilegiada da cinegética nacional, nomeadamente a caça à perdiz vermelha, é no próximo fim-de-semana deste mês de Outubro que se vai realizar a Feira da Perdiz em Martim Longo. 
O evento, que já vai na terceira edição, decorrerá no fim-de-semana de 30, 31 de Outubro e 01 de Novembro, no Pavilhão José Rosa Pereira, o qual , segundo a organização terá uma grande variedade de artigos ligados à caça, exposições de espécies cinegéticas, artesanato, gastronomia regional, animação musical e actividades radicais, são alguns dos atractivos desta feira, que, nas edições anteriores, tem trazido centenas de visitantes ao concelho.
Também e durante o mês de Novembro terá ao dispor várias semanas gastronómicas de pratos de caça por todo o alentejo, uma sugestão e um convite para passear com a família que bem merece a nossa companhia depois de tantos dias dedicados ao nosso desporto. Vão e desfrutem de um dia bem passado, para verem os diversos programas cliquem AQUI

O evento, que já vai na terceira edição, decorrerá no fim-de-semana de 30, 31 de Outubro e 01 de Novembro, no Pavilhão José Rosa Pereira, o qual , segundo a organização terá uma grande variedade de artigos ligados à caça, exposições de espécies cinegéticas, artesanato, gastronomia regional, animação musical e actividades radicais, são alguns dos atractivos desta feira, que, nas edições anteriores, tem trazido centenas de visitantes ao concelho.
Também e durante o mês de Novembro terá ao dispor várias semanas gastronómicas de pratos de caça por todo o alentejo, uma sugestão e um convite para passear com a família que bem merece a nossa companhia depois de tantos dias dedicados ao nosso desporto. Vão e desfrutem de um dia bem passado, para verem os diversos programas cliquem AQUI
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sexta-feira, outubro 30, 2009
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
CAÇA GERAL DIA 24 DE OUTUBRO
Finalmente chegou o tempo em que se pode caçar mais de acordo com aquilo que deve ser vista a caça que é sem dúvida um desporto de Inverno.
O dia começou com ameaças de chuva e com bastante nevoeiro, mas com o avançar da manhã o nevoeiro desapareceu e ficou um dia espectacular.
Começada a caçada com os postos de espera colocados, não tardou muito a ouvirem-se os primeiros tiros ás perdizes que também não tardaram a estar no cinto dos que fizeram bom uso das suas habilidades de bom atiradores.
Apareceram não tantas como todos desejariamos mas na primeira hora a animação reinou pelas bandas dos batedores, a pontaria estava afinada pois foram-se fazendo bons tiros, outros em que o sol atrapalhou, mas é assim a caça.
Na volta para o final da batida cobraram-se ainda mais umas perdizes a duas boas lebres da autoria do Sr. "Sousa" e do Sr. José G..
O registo final saldou-se por vinte perdizes e duas lebres, em mais uma bonita jornada de caça em terras da Beira-Baixa.
Ainda um episódio de registar que se passou comigo com o "Sousa", com o António M. e com o Rui L. que foi na ida para uma vertente para acompanhar a linha de batedores nos sai sem contar de dentro de um silvado uma raposa e depois de lhe termos demonstrado que ali não era sítio para andar não é que ao ouvir os tiros sai do mesmo sítio um belo javali que só não veio connosco pois não o conseguimos convencer, mas ficou a esperança para o gancho do dia 06 de Dezembro, já que os indicios da sua presença e demais familiares é por demais evidente, fiquem por cá mais um mês ou dois e conversamos.
Aproveito para transmitir que a largada será feita no dia 12 de Dezembro com ida ao rabisco no dia 13, só para sócios, encontram-se já abertas as inscrições, contamos convosco e tragam um amigo também.


















O dia começou com ameaças de chuva e com bastante nevoeiro, mas com o avançar da manhã o nevoeiro desapareceu e ficou um dia espectacular.
Começada a caçada com os postos de espera colocados, não tardou muito a ouvirem-se os primeiros tiros ás perdizes que também não tardaram a estar no cinto dos que fizeram bom uso das suas habilidades de bom atiradores.
Apareceram não tantas como todos desejariamos mas na primeira hora a animação reinou pelas bandas dos batedores, a pontaria estava afinada pois foram-se fazendo bons tiros, outros em que o sol atrapalhou, mas é assim a caça.
Na volta para o final da batida cobraram-se ainda mais umas perdizes a duas boas lebres da autoria do Sr. "Sousa" e do Sr. José G..
O registo final saldou-se por vinte perdizes e duas lebres, em mais uma bonita jornada de caça em terras da Beira-Baixa.
Ainda um episódio de registar que se passou comigo com o "Sousa", com o António M. e com o Rui L. que foi na ida para uma vertente para acompanhar a linha de batedores nos sai sem contar de dentro de um silvado uma raposa e depois de lhe termos demonstrado que ali não era sítio para andar não é que ao ouvir os tiros sai do mesmo sítio um belo javali que só não veio connosco pois não o conseguimos convencer, mas ficou a esperança para o gancho do dia 06 de Dezembro, já que os indicios da sua presença e demais familiares é por demais evidente, fiquem por cá mais um mês ou dois e conversamos.
Aproveito para transmitir que a largada será feita no dia 12 de Dezembro com ida ao rabisco no dia 13, só para sócios, encontram-se já abertas as inscrições, contamos convosco e tragam um amigo também.
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domingo, 25 de outubro de 2009
VIDEOS DA CAÇADA DIA 24 OUTUBRO
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
CAÇADA DIA 18 DE OUTUBRO
Dia 18 de Outubro cumpriu-se o terceiro dia da geral.
Neste dia a reunião e almoço foi na escola de Vale-da-Gama, aldeia que também gosta de nos receber e onde fazemos todo o gosto de nos juntarmos para o nosso convívio de caça.
Como já vai sendo hábito nos dias de caça deste ano somos brindados com um Verão que teima em nos deixar, mas a tradição vai-se mantendo, com muita animação e com resultados que nos deixam muitos satisfeitos como se pode observar pela fotos juntas.
Caçaram-se vinte perdizes todas elas de bom porte como se pode ver e também incluido mais um bonito perdigão dominante(caçado pelo Sr. António, tal como eu disse há tempos era só uma questão de tempo), demonstrando assim a força dos nossos bandos de perdizes, bravas a 100%.
A lebre é que é ainda do ano e não tem o arcaboiço de outras já caçadas na mesma zona, mas sempre é uma bonita orelhuda ou "rabona", como é comum chamar-se nalgumas regiões do nosso país.
Segue-se o almoço convívio como só entre nós acontece e é sempre um orgulho mostrar que ano após ano os laços de união e amizade entre todos continuam.
Bom almoço e obrigado aos cozinheiros.
O AMIGO CARLOS A PREPARAR A SALADA
O NOSSO AMIGO TÓ (CHURRASCOS É COM ELE)
A MALTA Á MESA PARA COMEÇAR O ALMOÇO
O QUE É QUE ESTES DOIS ANDARAM A PREPARAR, NÃO FOI COISA BOA.
UM BRINDE TAMBÉM PARA TI MANEL, FALTEI EU PARA BRINDARMOS OS DOIS.
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José Alberto Reizinho
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terça-feira, outubro 20, 2009
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OUTONO E O ELOGIO DA CAÇA (POR MIGUEL SOUSA TAVARES)

Dantes, aos primeiros sinais de Outono, eu entrava em depressão. Mais do que a chegada do Outono, o que me deprimia era o fim do Verão, pois que sempre fui devoto dessa verdade enunciada por Rilke: "só o Verão vale a pena". Imaginar um longo ano pela frente sem as praias e os banhos de mar, sem as noites quentes nos terraços e pátios, as noites em que o luar atravessa a sombra dos pinheiros e vem pousar no chão do quarto onde dormimos de janela aberta, a maresia trazida pelo vento de sueste nas manhãs marítimas, as frutas de Verão nos mercados, o peixe fresco brilhando ainda com luminosidades de prata, as vozes que se transmitem ao longe, dobrando esquinas e ruelas do que resta dos nossos souks em aldeias ou até em Lisboa, tudo isso, imaginar um ano inteiro sem tudo isso, deixava-me irremediavelmente triste e desamparado, como se as marés de equinócio tivessem varrido todas as possibilidades de alegria, todos os dias felizes. Se o Verão morria assim, eu morria também com ele, de cada vez.
Mas, há uns anos, tudo mudou. Alguns amigos começaram a levar-me à caça e eu descobri que, além do mar, também havia a terra, e depois do Verão havia o Outono: foi uma descoberta tardia, mas decisiva, como se tivesse descoberto uma quinta estação do ano e, mais do que isso, um novo pretexto para a felicidade. Rapidamente tomei a minha decisão e resolvi tornar-me caçador. Comecei pelo princípio, passo por passo, e são muitos: as aulas e o exame para obtenção da carta de caçador, aprendendo coisas para mim inteiramente desconhecidas, como o ciclo de vida e hábitos dos animais, modalidades de caça, princípios de balística, como criar e treinar cães de caça, etc. Depois, atravessei todo o imenso processo burocrático para a concessão de licença de porte de arma, escolhi as armas (que ainda hoje são as mesmas), experimentei vários tipos e marcas de cartuchos até perceber com quais me dava melhor e fiz um mínimo de aulas de tiro; finalmente, experimentei dois cães - um tão bom, que mo roubaram, o outro tão mau que foi dispensado e hoje é um urbano-depressivo, cheio de doenças e tiques de personalidade.
Muito embora o campo não me fosse propriamente estranho, eu não sabia como eram os campos de caça. Não fazia ideia do mundo novo, primordial e deslumbrante, que iria encontrar. Não imaginava as manhãs de geada ou de orvalho suspenso nos arbustos e nos ramos das árvores, as manhãs de frio polar ou as de chuva e lama, onde nos enterramos até à alma e maldizemos a decisão de ter saído da cama - que logo depois bendizemos, assim que os primeiros raios de sol rompem as nuvens e o frio ou que a primeira peça de caça tomba no chão. Não imaginava as longas caminhadas por cabeços ou planícies, por leitos secos de rios ou através da água, o cheiro a esteva e a giesta, ou as longas emboscadas, atento a todos os ruídos, ao simples agitar de uma folha, adivinhando a presença próxima dos animais antes de os ver. As esperas silenciosas à beira de um riacho, molhando a cara na água cristalina, aproveitando para colher poejos ou beldroegas tardias, aproveitando para pensar na vida, no essencial, no que verdadeiramente importa. A sós, com os três maiores luxos que um homem pode ter: espaço, tempo e silêncio. Porque aqui não há multidões nem urbanizações turísticas, não há pressa nem vozearia de conversas inúteis.
E não sabia que os 'selvagens dos caçadores' (que os há, como em tudo o resto), também conseguem, outras vezes, reunir um grupo de amigos que tudo pode separar à partida, mas que finalmente se encontram unidos por essa paixão primitiva e talvez inexplicável da caça. Gosto especialmente dos jantares que antecedem as manhãs de caça, das conversas soltas e sem pressa, das anedotas que dão a volta e regressam no final da época. Há quem imagine que as conversas dos caçadores são sobre futebol, mulheres e política. Pois lamento desiludi-los: são sobre armas, cartuchos, cães, viagens, o estado dos campos e das culturas e as memórias antigas de 'lances' de caça, umas vezes inventadas, outras reais, que cada um guarda consigo e a que só a um outro caçador vale a pena contar. E gosto muito das pequenas pensões ou hoteizinhos manhosos de província, onde se joga cartas à lareira do salão (a inevitável 'sueca') e onde os quartos têm pesados armários antigos de madeira e uma casa de banho 'moderna' enxertada no meio do quarto, com o polibã para poupar espaço. Gosto de passar em revista e preparar todo o 'material' de véspera: verificar se as armas estão bem limpas, se os cartuchos escolhidos são os melhores para o que se vai caçar, se a roupa e tudo o resto estão preparados para não perder tempo de manhã, em que cada minuto conta. E depois é tentar adormecer cedo - o que nem sempre é fácil, porque a adrenalina e a excitação já começam a fazer-se sentir. E, se o sono vier cedo, hei-de adormecer feliz, pensando que no dia seguinte vou à caça, enquanto tantos outros, lá na cidade, vão gastar a noite e a madrugada em bares, discotecas, festas e concertos onde se atropelam para atrair as atenções dos fotógrafos das revistas sociais. E, quando eles, se calhar, ainda nem vão no primeiro sono, já eu estou sentado à mesa (trôpego de sono, é verdade) para algum extraordinário pequeno-almoço, como, por exemplo, açorda alentejana com ovo e bacalhau.
"Ah", dirão vocês agora, "e o prazer sádico em matar animais - disso não fala?". Falo sim, para dizer que não existe tal coisa como o prazer de matar. Existe, sim, o prazer de acertar, que é uma consequência lógica do prazer de atirar. Nenhum caçador gosta de errar o tiro ou, pior ainda, de errar parcialmente e deixar um animal ferido, em vez de morto redondo. É por isso que a ética exige que, no caso da caça grossa, que pode resistir muito tempo a um ferimento, o caçador vá atrás da peça ferida até lhe poder dar o chamado tiro de misericórdia. E é por isso, também, que nenhum caçador que se preze atira a uma ave que não esteja em voo ou a um coelho ou uma lebre que não esteja em corrida. Claro que há caçadores que o fazem, mas eu não caço com eles e os meus amigos também não. Também não caçamos o que não comemos e fazemos questão de saber cozinhar uma canja de pombo, uma perdiz de escabeche ou um arroz de tordos. E de nos sentarmos todos à mesa, terminada a 'jornada', e ficarmos à conversa pela noite adentro, moídos de cansaço e de felicidade tranquila, de bem com a consciência, de bem com a natureza e as suas leis, em paz contra as imperfeições do mundo, as suas falsidades e fúteis aparências.
E se me deu para escrever este texto é, não só porque abriu a época de caça, mas também por outras duas razões. Uma, porque amanhã, diz a lei, é 'período de reflexão' e eu mantenho a tradição de não falar de política antes de eleições. Outra, porque a caça é um grande tema de reflexão e uma grande escola de vida e de valores - de companheirismo, de fair-play, de conhecimento e respeito pela natureza, de paciência, persistência, de reaprendizagem de coisas primordiais e evidentes por si mesmas. E, por isso, antes que a multidão politicamente correcta da nova doutrina urbana e 'civilizacional' queira julgar como selvagens a caça e os caçadores, ou mesmo bani-los face à lei, convinha que a sua arrogante ignorância ficasse a saber que falam do que não sabem e não percebem, e que, para infelicidade sua, jamais entenderão.
Texto publicado na edição do Expresso de 9 de Outubro de 2009
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José Alberto Reizinho
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terça-feira, outubro 20, 2009
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NOTÍCIAS
Formação passa a ser obrigatória para o exame de carta de caçador
A candidatura para exame de carta de caçador passa a exigir a frequência com aproveitamento de uma acção de formação adequada à especificação pretendida. Estas acções de formação são da exclusiva competência das OSC.
Foi hoje publicada a portaria que define os critérios para a obtenção da carta de caçador, que entra em vigor no dia um de Janeiro do próximo ano.
A referida portaria nº 1229/2009 de 12 de Outubro, aumenta também para quatro o número de fases anuais de exames, em Janeiro, Abril, Julho e Outubro, no mínimo por cada região cinegética.
As candidaturas para exame de caçador passam a ser feitas por via electrónica no portal da AFN.
A candidatura para exame de carta de caçador passa a exigir a frequência com aproveitamento de uma acção de formação adequada à especificação pretendida. Estas acções de formação são da exclusiva competência das OSC.
Foi hoje publicada a portaria que define os critérios para a obtenção da carta de caçador, que entra em vigor no dia um de Janeiro do próximo ano.
A referida portaria nº 1229/2009 de 12 de Outubro, aumenta também para quatro o número de fases anuais de exames, em Janeiro, Abril, Julho e Outubro, no mínimo por cada região cinegética.
As candidaturas para exame de caçador passam a ser feitas por via electrónica no portal da AFN.
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Domingo trágico para a caça
O último domingo, dia 18 de Outubro, foi negro para a caça no distrito de Vila Real.
Dois caçadores, com 34 e 62 anos, morreram em resultado de disparos acidentais nos concelhos de Vila Real e Chaves.
O primeiro acidente aconteceu por volta das 09:00 horas em Vila Verde de Oura, na zona de Vidago, no concelho de Chaves, um homem de 34 anos foi atingido acidentalmente pelo amigo e companheiro de caça, quando este estava a guardar a arma na bolsa de transporte para voltarem para casa. O homem, que ia ser pai pela primeira vez em breve, terá tido morte imediata.
Quarenta e cinco minutos depois acontece nova tragédia, um caçador, de 62 anos, que vivia em Penelas, na freguesia de Folhadela, foi encontrado morto com um tiro, na localidade de Tanha, em Nogueira, no concelho de Vila Real. A vítima andaria à caça num terreno inclinado junto à Quinta da Parapomba. Pensa-se que terá caído e a arma disparado um tiro que o atingiu no abdómen.
Rapaz de doze anos pode ficar sem um braço
Um rapaz de 12 anos que acompanhava o pai e um amigo deste na caça, foi também atingido por um disparo acidental no braço direito, está internado no Hospital de Santa Maria em Lisboa, o¬nde foi operado e corre o risco de amputação do braço. O acidente ocorreu na zona de Loures quando os caçadores se preparavam para regressar por volta das 12:00 horas, quando o amigo do pai do rapaz ao iniciar os procedimentos para guardar a sua arma esta se disparou.
Dois caçadores, com 34 e 62 anos, morreram em resultado de disparos acidentais nos concelhos de Vila Real e Chaves.
O primeiro acidente aconteceu por volta das 09:00 horas em Vila Verde de Oura, na zona de Vidago, no concelho de Chaves, um homem de 34 anos foi atingido acidentalmente pelo amigo e companheiro de caça, quando este estava a guardar a arma na bolsa de transporte para voltarem para casa. O homem, que ia ser pai pela primeira vez em breve, terá tido morte imediata.
Quarenta e cinco minutos depois acontece nova tragédia, um caçador, de 62 anos, que vivia em Penelas, na freguesia de Folhadela, foi encontrado morto com um tiro, na localidade de Tanha, em Nogueira, no concelho de Vila Real. A vítima andaria à caça num terreno inclinado junto à Quinta da Parapomba. Pensa-se que terá caído e a arma disparado um tiro que o atingiu no abdómen.
Rapaz de doze anos pode ficar sem um braço
Um rapaz de 12 anos que acompanhava o pai e um amigo deste na caça, foi também atingido por um disparo acidental no braço direito, está internado no Hospital de Santa Maria em Lisboa, o¬nde foi operado e corre o risco de amputação do braço. O acidente ocorreu na zona de Loures quando os caçadores se preparavam para regressar por volta das 12:00 horas, quando o amigo do pai do rapaz ao iniciar os procedimentos para guardar a sua arma esta se disparou.
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