quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CAÇAR COMO ANTIGAMENTE (13 DE OUTUBRO DE 2012)


Pois foi, no passado Sábado dia 13 de Outubro (dia de Nossa Senhora de Fátima), os caçarretas que se juntaram para cumprir calendário foram só nove.

Com estes elementos criou-se uma estratégia, caçar á antiga, quatro esperas e uma linha de cinco caçadores, simples e vamos a ver se eficaz, os "melhores" não estavam cá, a ver vamos como diz o cego, e partimos.

Perdiz afinal ainda as há, porque passado pouco tempo os canitos entram no mato e começam a voar as primeiras peças, o Vítor Gonçalves da ponta de baixo, cobra uma vermelhinha passados poucos minutos de monte, pontaria eficaz, continua a batida.


Adiante que atrás vem gente. Continua-se em perseguição das patas vermelhas, indo-nos orientando pelas indicações das portas e seguindo atrás dos cães que vão cumprindo menos mal o seu papel, aviso do Paulo para uma perdiz que vinha revoada para trás, e só ao terceiro disparo, sendo mesmo necessário piscar o olho, a mando para terra, o chocapik anda fraquinho este ano, cobrada a peça continua-se a bater monte.


Bate-se a coutada, os cães andam no rasto dos coelhos, mas o mato é muito e eles não saem á limpa, das lebres nem é bom falar, não se mexeu nem uma para amostra, há mais uns tiros e o Vítor Xisto faz das suas, tendo cobrado uma perdiz para juntar ao bornal.

Afinal isto corre bem, vamos fazer a última parte do percurso passando pelas vinhas junto á Avessada, levantam-se as perdizes nos eucaliptos, o V. Xisto cobra outra, adiante levanta-se um belo bando com umas 12 ou mais perdizes sendo cobrada uma pelo Vítor G., a partir daqui deste bando nem mais um voo nem sequer foram mais vistas, isto é que é passarada fina.

Corrida a última parte da mancha o Diogo cobra um torcaz com um tiro de belíssimo efeito a uma lonjura que nem vos passa, mas foi eficaz e cobrado a bicho lá seguimos até ao Carrascal, daí pouco ou nada se mexeu, somente alguns coelhotes falhados em plenas autoestradas, digno de se ver.

Eis-nos chegados ao fim da batida, mais uma perdiz que se deixa enganar, fico satisfeito, há uma peça de caça para cada participante, o petisco fica por conta das portas que hoje não foram eficazes, pontaria desafinada, eu sempre digo, ir a um campinho de tiro aos pratos, não faz mal e ajuda a modalidade, além de afinar a pontaria.


O almoço que nos esperava teve o condão de ver a sua preparação alterada várias vezes e penso que não ajudou muito, mas ainda assim estava razoável. Desta vez tivemos direito a chocolate ao café, portanto se quiserem têm de vir cá caçar.

Fiquem bem, boas caçadas, da minha parte só dia 27 de Outubro irei novamente, até lá saudações cinegéticas.

J.R.

 















segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ABERTURA GERAL 2012, DIA 07 DE OUTUBRO.


Finalmente o dia tão ansiado pela maioria dos caçadores chegou.
O dia da abertura geral finalmente irá dar hipótese aos caçadores de andarem pelos campos atrás da emblemática “Rainha” da caça menor, Sua Excelência a Perdiz Vermelha.
Foi com este sentido e com esta vontade que 22 caçadores se reuniram neste dia 07 de Outubro para cumprirem a tradição na nossa Reserva de Caça Associativa.
Começou cedo a nossa missão de bater montes e cabeços atrás das vermelhinhas, após um breve briefing, ficou decidido quem ia esperar, para que sítios iriam, e quem iria bater. Depressa se passou á acção e breve estávamos no monte bem organizados a caçar em linha. Cedo se levantaram as perdizes que não dão mão e nem deixam chegar muito perto, o monte está seco e os nossos passos denunciam-nos cedo demais, mas sabemos o que fazer e á nossa frente irão as perdizes até levantarem duas ou três vezes, aí sim se dará início ao espetáculo.
A volta começa a dar resultados, surgem os primeiros tiros e as primeiras peças cobradas, a máquina está a trabalhar bem, pelo menos na nossa linha corre tudo de feição, mais tarde soubemos que os outros batedores não tiveram tanta sorte e não correu como queriam a volta que lhes estava destinada, com as perdizes a saírem fora da mancha e a obrigar assim a trabalho extra para as colocar novamente no sítio certo. São estas as condicionantes da caça e as perdizes puras decidem que são elas as “Rainhas” do seu reino e aí imperam, anos de sabedoria com a lei da sobrevivência a vir a de cima, caça no seu melhor.
Surpreendente, pelo menos para mim e também na opinião quase generalizada da maioria dos caçadores, é de que afinal ainda há umas perdizes que mantêm a esperança de que nem tudo está perdido, mexeram-se uns bandos de perdizes e alguns ficaram quase intocados, certeza de que não condenamos a espécie pelo menos nestes anos próximos, mas todo o cuidado é pouco, aceito também que se poderá pensar e decidir acabar com a caça mais cedo do que o calendarizado, tudo em prol da caça e dos animais que tanto prazer nos dão.
No final contabilizaram-se 14 perdizes e um coelho como espólio do dia, insuficiente ao ver de outros anos, mas com a certeza de que poderia ser bem melhor se as pontarias estivessem afinadas e se cobrassem todas as peças abatidas, chegaria de certeza uma peça para cada caçador, assim foi necessário ir á reserva para se distribuir da mesma forma uma peça a cada caçador, como sempre disse é um apanágio desta direcção fazê-lo, vamos tentar ser sempre desta forma.
Também o tempo não foi nosso amigo, uma vez mais o calor teima em não nos deixar e cedo tanto nós como os cães já estavamos cansados e sem vontade e forças para subir qualquer cabeço por mais pequeno que fosse.
O almoço entre os intervenientes foi animado, com um belo churrasco de frango, terminando assim desta forma um belo dia de caça.
Até á próxima e fazem o favor de se divertirem.
J.R.























domingo, 14 de outubro de 2012

TRANSPORTE DE EXEMPLARES MORTOS EM ZONAS DE CAÇA E CAMPOS DE TREINO


 

   Após ter tido conhecimento que a inspecção da caça em Portugal (SEPNA), fez uma acção de esclarecimento na abertura às rolas, onde o seu principal objectivo foi o de verificar se os caçadores que transportavam espécies cinegéticas abatidas durante o acto de caça, eram também portadores da respectiva “GUIA DE TRANSPORTE DE EXEMPLARES MORTOS DE ESPÉCIES CINEGÉTICAS EM ZONAS DE CAÇA OU CAMPOS DE TREINO DE CAÇA”, conforme diz o nº 7 do artigo 108.º do Decreto-Lei n.º 202/2004, de 18 de Agosto, com a redacção conferida pelo Decreto-Lei n.º 2/2011, de 06 de Janeiro, fui fazer a minha pesquisa e verifiquei que quando transportamos qualquer que seja a espécie cinegética fora dos dias normais de caça, que são Quintas, Domingos e Feriados, temos de ser portadores desta guia, que nos permite que façamos o transporte da “caça” sem problemas. São neste caso os dias de montarias, largadas de caça ou de treinos com caça de cativeiro em campos de treino, ou ainda outras acções venatórias, feitos noutros dias que não os normais, como sejam os sábados por exemplo nas ZCA, ou qualquer outro dia em ZCT.

   Nesta acção de fiscalização as autoridades ficaram-se pelos esclarecimentos e avisos, não tendo autuado nenhum caçador, mas a prever acções futuras temos de ter o cuidado de pedir às entidades gestoras das zonas de caça que nos forneçam esta guia de transporte, pois as coimas são bastante elevadas e a guia é de fácil e rápido preenchimento. Não vale a pena arriscar por tão pouco trabalho, depois as despesas serão muito maiores bem como as chatices que estas situações acarretam. Fica também o apelo para nós caçadores, que temos a obrigação de pedir este documento, para nos salvaguardarmos por um lado e para ajudar a própria direcção e os dirigentes que têm outras coisas em que pensar e por vezes se esquecem destes detalhes.

   Portanto resta-nos a nós caçadores sermos responsáveis pela “caça” que transportamos e ajudarmos ajudando-nos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

TEMPORADA AOS COELHOS SETEMBRO DE 2012

Começou de forma tímida a temporada de caça aos coelhos, no mês de Setembro de 2012, incluída no calendário de caça 2012/2013.
De forma tímida e com tempo de Verão no seu melhor, calor e mais calor. Os três primeiros Domingos foram de arrasar, às oito horas da manhã as temperaturas já batiam nos 25 graus, é tempo de praia não de caça. Os cães por muito vício que tenham e estando á muito tempo inactivos não lhes chegava o cheiro ao nariz e a caça também não deixa cheiro no rasto, o campo está completamente seco, até as estevas estão de orelha murcha, não chove á meses e tudo se recente, certamente a caça não andará pelos cabeços, ali nada há para comer, outras paragens se procuram para sobreviver. Também a Mixomatose e a Hemorrágica fizeram das suas, são a pior das pragas, dizimam colónias inteiras de logomorfos, e este ano atacou em força, dos coelhos avistados noutros meses poucos escaparam.
Com alguma chuva no Sábado antes do quarto Domingo de caça, os cães já mostraram algumas habilidades e seguiram os rastos deixados pela coelhada nas deslocações nocturnas, mas logo veio outro inconveniente que é caçar com mato molhado que acaba por dar cabo do nariz aos cães, se não é do cú é das calças, já nada é como antigamente em que se caçava quase toda a temporada de fato de chuva e os cães molhados de manhã á noite, outros tempos, agora caçar exige uma perfeita conciliação de todos os elementos, enfim falta de caça é o que é e contra isso nada a fazer ou então voltar ao antigamente e começar a semear esses campos todos a eito.
Este último Domingo, dia em que escrevo esta crónica, reservou-nos uma agradável surpresa, pois além de os caçadores e cães serem menos apanhou-se mais caça, o tempo aliviou e vem-se provar mais uma vez que calor não é tempo para caçar. Assim e no seguimento destas caçadas eleva-se a moral para a esperada “abertura-geral”, vamos continuar o trabalho até aqui desenvolvido já com os cães com alguma pata, a ver vamos.
Já no que diz respeito aos nossos almoços, tenho a dizer que esses continuam do melhor, com o pessoal a chegar a horas para a paparoca e mesmo com falta de “Chefe” da culinária lá se vão fazendo as opíparas refeições, sempre bem regadas com os tintos da região ou com os brancos adamados que fazem as pessoas cantar á “desgarrada” e até gostar de fado, é uma coisa impressionante, estou mesmo a acreditar que estes fantásticos líquidos dos deuses fazem mesmo falar os mudos e dão vista aos cegos. Respeita-se assim a velha máxima que já vem dos tempos do António Oliveira “ O vinho é que induca e o fado é que instrói”.
Agora depois do desbaste aos coelhos, chega a altura de dar caça á Rainha da Caça Menor, Sua Excelência a Perdiz Vermelha. Embora andando com as reservas em baixo devido aos maus anos de criação que se vem assistindo desde 2009, ainda deverão dar para nos divertirmos durante a nossa temporada que não é muito grande. Também teremos de definir estratégias e arrepiar caminho se queremos ter caça nos anos mais próximos, nem que para isso tenhamos de caçar menos e ajudar as populações de perdizes com artifícios que lhes permitam sobreviver e retomar as populações a níveis estáveis e com números que sustentem a sua caça.
Para terminar e a talhe de foice que a crónica já vai alargada, resta referir que a praga de porcos é demais e vem estragando tudo por onde passa desde luras a ninhos de perdizes, já dizia um amigo e que até á pouco tempo fazia parte da direcção: “- onde houver desta praga dificilmente teremos caça menor, tanto coelhos como perdizes.”
Temos portanto de organizar umas batidas e planear convenientemente a nossa montaria para que o equilíbrio venha a ser reposto. Deixo também o apelo a todos os sócios para que cumpram com o que ficou definido na reunião anual e que prevê haver uma série de batidas às raposas e outros predadores, a presença de todos é fundamental para que se faça uma “limpeza” digna de registo e assim também ajudamos a outra caça a sobreviver sem grandes esforços para que não venham a abandonar definitivamente as terras por estas não lhes serem propicias á sua sobrevivência.
Boas caçadas a todos.
J.R.