quinta-feira, 16 de outubro de 2014

DIA DE COELHOS E PERDIZES

11 de Outubro
O Outono avança “triste”, chuvoso e pouco convidativo. Talvez por isso, ou não, os amigos andam arredios destes convívios, ditos dias de caça, mas que há muito são apenas um pretexto para contrariar um tempo em que o parecer se sobrepôs ao Ser e a palavra perdeu valor. E, talvez por isso, voltamos à terra, ao mundo real onde nos conhecemos e somos capazes de agir em conjunto, contrariando o individualismo num mundo que se diz global.
Avessada, 7:30 h de uma manhã caracterizada pelos habituais nevoeiros que num momento se dispersam e no momento seguinte se instalam persistentemente nos vales locais.
Chegam os primeiros aficionados, ” o cozinheiro”, diligentemente assessorado por um “madeireiro” de ocasião, apresta-se, à boca do forno, a fornecer o combustível necessário para que este atinja a temperatura apropriada para a confecção do inevitável almoço.
Pouco a pouco, vão chegando os “resistentes” que à força de um café madrugador, acompanhado por uma tentação de chocolate (especialidade albicastrense- cortesia do A Lopes), removem as pequenas névoas nocturnas que trazem no olhar de ontem.
Preparativos concluídos, destinos traçados para dois grupos com objectivos diferentes (coelho e perdiz) e começa mais uma jornada, a 2ª, em que as “vermelhinhas” por um lado e os “orelhudos” por outro, serão o prémio apetecido para os 12 companheiros que puderam marcar presença.
No terreno, homens e seus fiéis canídeos, impacientes pela inactividade prolongada, iniciam as “hostilidades”, enfrentando mato denso e cada vez mais difícil de transpor. Da caça nem vestígios e, 15 minutos depois, na sequência de uma prova de obstáculos por entre silvados, tojos, carquejas e estevas da minha altura, está completo o habitual banho matinal, totalmente ecológico e sem quaisquer gastos energéticos, oferta da empresa “Mãe-Terra”.
Eis senão quando, num momento de aparente calmaria, o “Tiquinho”, no nome e no tamanho, adversário habitual dos orelhudos nos circuitos locais de todo o terreno, “dispara” cabeço acima em animada correria fazendo ouvir os seus latidos, estridentes e indignados, motivados pela partida antecipada do seu adversário. Lá no alto, posicionado numa zona de passagem, mestre Jorge, entretido por um telefonema ocasional, é confrontado pelo olhar penetrante do coelhito parado à sua frente e que, diz-se por aí, lhe perguntou “Esse tijolo também dispara?!” Não esperou pela resposta e o “distraído” confrade apenas exclamou: ”Aí vai ele, Zé”. Um tiro, o primeiro, acabou a corrida e o Tiquinho, esbaforido, alcançou o adversário não lhe perdoando uma valente “descasca” pela falsa partida inicial.
A bom ritmo por montes, vales, plantações de eucaliptos e um ou outro olival disperso, continua a caminhada com os cães dando boas indicações da presença recente das vermelhinhas, mas estas, com o saber acumulado de gerações, esquivam-se facilmente não permitindo sequer que as vislumbremos mesmo à distância. Acumulam-se os passos, ouvem-se dois tiros, avista-se uma perdiz, cobra-se uma outra, que mestre Jorge fez aterrar de emergência e que em desenfreada correria procura furtar-se ao nariz apurado do perdigueiro. Esgota-se o tempo, acumula-se o cansaço e instala-se a descrença no retorno ao ponto de partida. Mais a sul, o grupo dos coelhos, solidário com os agricultores locais, procura incessantemente remover um enorme balsedo onde uma vermelhinha, distraída, tombou vítima de um “colapso” fulminante.
Furam-se as balsas, homens e cães são brindados pela autodefesa do silvado que lhes regista na pele a ousadia de se infiltrarem nos seus domínios. Da perdiz, manjar demasiado precioso para ficar por ali à mercê de uma qualquer raposinha esfomeada, nem sinal. Aproximamo-nos e o “chefe”, do outro lado do ribeiro, exclama: “ Zé, traz aí a Kuka”. A breton, que não volta as costas ao serviço, toma ares, dá sinal da vermelhinha, interna-se no silvado e, depois de duas voltas ao “circuito espinhoso”, aparece com a bicha na boca entregando-a ao seu tratador e recebendo, como é da praxe, os carinhos devidos pelo seu esforçado desempenho.
Retomamos o caminho de regresso. As estratégias, há muito definidas, resumem-se agora no retorno ao ponto de partida. Juntos, no regresso, os dois grupos avançam para a etapa final e, não eram ainda percorridos cem metros, junto a três ou quatro pinheiros jovens devidamente alinhados, três cães param de rompante assinalando a presença de caça nas imediações. Mestre Jorge e Mestre Abílio, algo surpreendidos com a ocorrência, não reagem em tempo útil e a bichinha, a coberto da flora local, dispara vale abaixo contemplada com dois “pregos” made in mestre A Lopes que, perante a clara falta de eficácia, se alistou de imediato no núcleo da Avessada dos “protectores da fauna local”.
Na encosta, os “amantes dos orelhudos” avançam teimosamente no esteval procurando algum coelhito distraído que, nas suas incursões nocturnas, por ali tenha ficado. Esforço enorme de homens e canitos, com avanços e retrocessos provocados por “simpáticos” aglomerados de silvas e tojos que, inesperadamente e quando nada o faria supor, viram um dos tais logomorfos todo o terreno, quiçá da mesma família do adversário do Tico, mas especializado em saltos com barreiras, encetar desenfreada correria pelos socalcos de uma recente plantação de eucaliptos, deixando tudo e todos boquiabertos com a agilidade do bicho que teve o desplante de sobrevoar a matilha, escapulindo-se a toda a pressa a salvo e cheio de saúde para o seu esconderijo. Como sempre em casos tais, os irredutíveis “caçarretas” aprestaram-se a tecer diversos comentários: “levava o diabo no corpo”, “estava de cócoras a apertar os atacadores”, “tinha a arma trancada”, havendo até quem alvitrasse que o coelhito fujão estava demasiado magro não merecendo um tiro. Note-se que até o mestre “Veredas”, com diversos achaques ao nível das cruzes, bateu o recorde dos 60 metros procurando, por entre os socalcos da plantação, vislumbrar o dito presenteando-o como uma salva de “morteiros” com a nobre intenção de o fazer chegar mais rapidamente ao lar, ao seu claro está! Nada feito, o orelhas escapuliu-se escapando, desta vez, ao encontro com umas batatinhas, num qualquer tacho de uma cozinha nas proximidades. “Caminhada” cumprida, cachorrada no merecido descanso, final de uma manhã agradável sem acidentes e recheada de peripécias que nos fazem voltar, dia após dia, ao contacto com a natureza. Das capturas não reza esta crónica de mais uma jornada de caça e que terminaria com uma excelente chanfana de javali, superiormente preparada pelo mestre J Luís e respectiva esposa.
Acresce apenas um agradecimento especial aos amigos coelheiros que nos têm acompanhado, com os seus canídeos, nestas caminhadas cinegéticas de convívio, comunhão e respeito com a Mãe-Terra.
Outros dias virão, boas caçadas…
zeg

















segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ABERTURA ÁS PERDIZES DIA 5 DE OUTUBRO

Já nada é como era antigamente.
Agora só uma dúzia de camaradas aparecem para dar inicio a mais uma temporada de caça ás perdizes, longe vão os tempos de sermos mais de três dezenas neste dia com vontade de calcorrear cabeços atrás das vermelhinhas.
Mas ainda assim fomos dar caça ás nossas amigas, que por sinal também andaram arredadas dos caçadores, não se mostrando e quando o faziam só muito timidamente.
Ao começo ainda se levantou um bando com umas sete ou oito perdizes, de onde foi cobrada uma.
Mas um bando que tinha sido referenciado com umas de 15 ou vinte perdizes, não foi visto por ninguém, e só muito esporadicamente se levantava uma perdiz ora outra, parecendo já perdizes revoadas mais do que uma vez, o que não é normal.
Foi possível observar zonas de descanso onde as perdizes normalmente estão durante a noite, todas reviradas dos javalis que por ali deambulam durante a noite e também lhes dão caça, forçando-as a procurar outras paragens e tornando mais difícil a caça por parte dos caçadores.
É um mal que tende a aumentar com a população de javalis cada vez a ser maior.
Mas a volta cumpriu-se, viram-se umas centenas de patos que povoam o rio na zona da cascalheira e que ainda não somos experts na sua caça, mas poderá ser uma vertente a escolher futuramente.
O calor também fez das suas e por volta das dez e meia já as forças estavam no limite, o primeiro dia não perdoa e as pernas cada vez são mais pesadas.
O quadro de caça final foi de cinco perdizes mas ficaram muitas mais para trás.
Os matos são muitos, zonas impossíveis de atravessar, muitos silvados, muito de tudo o que é ruim, enfim, cada dia de caça passa a ser um dia de aventura, nunca sabemos o que o campo nos irá apresentar, neste dia foi assim, os próximos se verão.
O almoço estava muito bom, um bacalhau com grão confeccionado com a ajuda de todos, muita união e camaradagem que é o mais bonito que se leva destes dias, e que ninguém se magoe, por isso que venha o próximo, da minha parte só em 2 de Novembro, é a vida.
Boas caçadas a todos e ficam as fotos da praxe.
J.R.

J.R.